Como eu faço pra respirar? Eu só quero respirar

Lidar com a própria mente é o maior desafio

Acho que o pior desafio de tudo é lidar com a própria mente, com os próprios pensamentos todos os dias. Durante muitos anos eu me negligenciei, me esqueci de mim e me deixei completamente de lado. E sim, ainda existe muita culpa dentro de mim, muita tristeza, muito medo e muita ansiedade.

Eu sabia que uma hora a bomba iria explodir, porque foram anos ignorando o que eu sentia, anos esquecendo de quem eu sou. Eu sempre dizia: “depois eu vejo isso”, “depois eu resolvo aquilo”, “vamos ajudar tal pessoa”, “vamos resolver a vida de fulano”. Só que uma hora a conta chega.

Os lutos que eu nunca vivi

Foram anos ignorando os meus próprios lutos. Meu gato morreu e eu ignorei essa dor. Passei Natais longe da minha família e também ignorei esse luto. Saí do HCOR e nem tive tempo de entender o que estava acontecendo, porque foi tudo muito caótico. Ignorei isso também e segui em frente no meio do barulho.

Basicamente fui jogada dentro de uma selva. Saí de um ambiente acolhedor e fui lançada dentro de um ambiente extremamente tóxico, o mundo corporativo, que definitivamente não combina com o meu perfil. Fui mandada embora sem dó e sem tempo para entender o que aconteceu.

Engoli seco. E as pessoas diziam: “não chora”, “faz parte”, “segue em frente”, “vai se distrair”. Mais uma vez eu engoli. Mais uma vez coloquei tudo para debaixo do tapete.

Anos sendo jogada de um lado para o outro

Tentei empreender sem nem saber o que era empreender. Mais um fracasso engolido seco. E foram muitos. Depois fiquei 11 meses trabalhando numa portaria. Foi um tempo difícil, de muita resiliência, mas também foi o período em que mais consegui me calar e silenciar as vozes da minha cabeça.

Curiosamente, foi um tempo frio, mas eu tive mais paz ali do que em grandes empresas. Havia menos pressão e mais silêncio. Foi ali que comecei a entender um pouco quem eu era.

Rupturas rápidas demais

Depois veio o Beto, e tudo começou a se desenrolar, mas rápido demais. Seis meses depois eu saí da casa dos meus pais, numa ruptura violenta que nem tive tempo de processar.

Fui morar com uma amiga, não deu certo. Depois fui para uma pensão, também caótica, cheia de barulho e confusão. Eu era jogada de um lado para o outro sem entender o que estava acontecendo, sem assimilar nada.

Nesse meio tempo conheci o Guilherme, e também foi tudo muito rápido. De repente eu estava morando no interior. Mais uma ruptura brusca. Meu cérebro simplesmente não conseguiu entender o que estava acontecendo. Eu cheguei caótica, cheia de dor, sem ter digerido nada do que já tinha vivido.

O corpo nunca teve tempo de processar

No meio disso tudo sofri um acidente de carro muito grave. Achei que ia morrer. E o que eu fiz? Joguei para debaixo do tapete.

Três dias depois já estava trabalhando novamente. Entrei numa sequência de empregos, porque eu queria a qualquer custo ter mil reais para investir em tráfego pago e resolver minha vida. Eu queria consertar tudo rapidamente. Mas não deu certo.

O cansaço de viver no automático

Hoje eu sinto um cansaço profundo, quase um vazio existencial. Foram anos sendo jogada de um lado para o outro, sem entender o que estava acontecendo, sem assimilar, sem parar. Como se eu estivesse numa tempestade constante, sendo cuspida pelo mar de um lado para o outro, levando pancadas o tempo todo.

E agora eu percebo que eu nunca parei para processar nada. Nunca dei tempo para o meu corpo e para a minha mente entenderem as perdas, as rupturas, os fracassos e as dores.

Agora eu só quero respirar

Neste momento, tudo o que eu quero é respirar. Eu não quero entrar em outra faculdade, não quero começar outra pós-graduação, não quero correr atrás de mais um plano mirabolante. Eu só quero respirar e assimilar o que aconteceu com a minha vida.

Quero entender por que tantos padrões se repetem, por que tantas rupturas aconteceram, por que eu sempre vivi com tanta pressa. Quero aprender a caminhar mais devagar. Quero que a espiritualidade me ensine a desacelerar. Quero que Deus escute o clamor da minha alma.

Eu quero consertar a minha vida, de verdade. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não quero correr. Eu só quero respirar.

Reconhecer a falta de discernimento

Eu sei que, ao longo do tempo, me faltou discernimento e sabedoria. Fiquei extremamente inconsciente por muitos anos.

Ainda sou em alguns momentos, mas estou melhorando e tentando enxergar com mais clareza. Agora, tudo o que eu quero é resolver esse caos, desatar esses nós e desembaralhar esse emaranhado que se formou dentro e fora de mim.

Eu só queria que fosse mais fácil, que doesse menos, que os milagres começassem a acontecer na minha vida e que as coisas finalmente fluíssem com menos sofrimento.

O peso de acordar para si mesma

Confesso que ainda estou muito anestesiada. Tem sido difícil perceber o quanto me esqueci de mim por tantos anos e o quanto agora estou me lembrando. E lembrar significa reconstruir tudo. Às vezes sinto que não construí nada. As pessoas dizem que tenho conhecimento, que sei muita coisa, mas o que adianta ter tanto conhecimento e não ter resultado concreto na vida? Eu sei que me cobro muito, mas o peso da culpa é enorme. É como carregar três cilindros de oxigênio nas costas o tempo inteiro. A culpa pesa por oportunidades não aproveitadas, por erros, por decisões inconscientes que fui tomando ao longo do caminho.

como se perdoar?

Fico me perguntando como a gente se perdoa de verdade. O que é se perdoar? Como se cura da culpa? Como se liberta? Como arrumar tanto caos que foi se formando ao longo dos anos, muitas vezes não por maldade, mas por inconsciência, falta de maturidade e falta de direção? Estou tentando descobrir como se recomeça, como se cura e como se solta o passado. Espero que um dia eu possa reler tudo isso e perceber que as coisas mudaram, que melhoraram e que esse peso finalmente ficou para trás.

quebrar padrões que se repetem

Existe um padrão repetitivo muito forte na minha vida, e ele se repete com frequência. É como um labirinto mental em que fico rodando sem conseguir sair.

Estou tentando sair desse padrão e estou disposta a resolver de verdade. Só peço a Deus que me ajude a sair disso mais rápido e com menos dor. Eu me responsabilizo pelas minhas falhas, mas sei que preciso de ajuda espiritual para sair desse lugar e reconstruir a minha vida.

Quando só o espiritual sustenta

Não tem sido fácil. E, sinceramente, não quero mais ouvir tantas vozes externas nem tantos conselhos. Quero ouvir o que Deus tem a me dizer. Quero ouvir o que Jesus Cristo tem a me orientar, porque acredito que, quando a gente está no fundo, quem levanta é o espiritual. É a força espiritual que ilumina a mente, que dá direção e sustenta quando tudo parece perdido.

Esperança mesmo sem certezas

Eu tenho esperança. Talvez nem sempre tenha tanta fé, mas tenho esperança de que um dia tudo vai se organizar.

Não sei exatamente como, mas sei que vai. Todos os dias acordo e faço o que consigo fazer, mesmo que seja pouco, mesmo cansada, mesmo sem vontade.

E acredito que, em algum momento, essa angústia vai sair do meu peito e as coisas vão melhorar. Eu acredito que Deus tem um propósito na minha vida e que, de alguma forma, Ele está me ouvindo. Não sei quando tudo vai melhorar, mas sei que vai melhorar.

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